Sa√ļde Infodemia

Profissionais de saúde enfrentam duas batalhas: pandemia e desinformação

Por Texto de: Cátia Aiello e Valéria Santoro - Agência Ketchum - Agosto 2020

29/04/2021 às 14:39:51 - Atualizado h√°
Foto ilustrativa colaboração: Agência Ketchum

Profissionais de saúde enfrentam duas batalhas: o combate à pandemia e a desinforma√ß√£o


Médicos e enfermeiros se preocupam com infodemia de notícias falsas nas mídias sociais e fazem um apelo: "Pensem antes de compartilhar notícias sem identificar a veracidade delas"



Profissionais de saúde que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus destacam que, neste momento, o mundo enfrenta n√£o só a pandemia da COVID-19, mas também uma batalha contra a desinforma√ß√£o viral e global nas mídias sociais que amea√ßa vidas em todo o mundo. As informa√ß√Ķes propagadas em redes sociais, sem embasamento científico, tornaram sua rotina mais dura: além de arcarem com a carga física, psíquica e emocional, seu trabalho vem sendo amea√ßado e atrapalhado por familiares ou pacientes que consomem, acreditam e compartilham conteúdos equivocados. Segundo uma pesquisa realizada pelas empresas MindMiners e Avaaz, 70% dos brasileiros buscam informa√ß√Ķes sobre o novo coronavírus uma ou mais vezes por dia e, apenas 40% consideram redes sociais pouco confi√°veis.

Impactos da Infodemia

Alguns dos impactos causados pela infodemia de notícias falsas no dia a dia dos profissionais de saúde envolvem questionamentos sobre potenciais terapias, boatos como os que escovar os dentes com bicarbonato ou tomar desinfetante combatem o coronavírus, conflitos com pacientes que gostariam de ter recebido a medica√ß√£o na qual acreditam porque leram na Internet, desconfian√ßa entre médico e famílias que cobram procedimentos divulgados nas mídias sociais como bem-sucedidos e até amea√ßas de familiares de obrigar o médico a prestar contas, caso algo aconte√ßa com o paciente.

"A desinforma√ß√£o é um desservi√ßo da sociedade. Nós, da √°rea da saúde, estamos lidando com circunst√Ęncias extremas na linha de frente de hospitais de campanha como se tivéssemos em meio a uma guerra, cuidando de inúmeros doentes em situa√ß√Ķes delicadas. Essa alta gama de informa√ß√Ķes n√£o verificadas que vem inundando as mídias sociais, faz com que familiares e pacientes opinem nos processos de tratamento como se fossem os próprios especialistas, muitas vezes exigindo uma prescri√ß√£o ou um procedimento específico que n√£o s√£o indicados e nem benéficos em determinadas situa√ß√Ķes. N√£o trabalhamos com achismos e isso atrapalha o nosso dia a dia porque gastamos uma energia e um tempo que n√£o temos com esse conflito com familiares. Estamos cumprindo o nosso juramento de fazer o bem aos seres humanos com responsabilidade e evid√™ncias científicas e também o nosso papel de orientar os pacientes com o nosso conhecimento e especialidade", afirma Karina Oliani, médica socorrista que est√° na linha de frente no hospital de campanha do Anhembi, em S√£o Paulo. Ela também é fundadora da Associa√ß√£o Brasileira de Medicina de √Āreas Remotas e Esportes de Aventura, e Presidente do Instituto Dharma.

Outro relato é o da Dra. Bruna Silveira, que apoia comunidades periféricas no combate à pandemia e fala em tristeza e desespero por conta das informa√ß√Ķes falsas disseminadas nas mídias sociais. "A desinforma√ß√£o me preocupa porque j√° s√£o mais de 100 mil mortes notificadas no Brasil. Sinto tristeza porque vejo tudo isso como uma completa desconex√£o com a própria vida e com a vida de outras pessoas e porque percebo que o consumo de notícias est√° se tornando maior e mais importante do que o cuidado com o coletivo. Me desespero ao pensar que, sem as medidas de isolamento e de controle, ficamos cada vez mais longe de sair dessa situa√ß√£o. Fa√ßo aqui um apelo: pensem antes de compartilhar notícias sem identificar a veracidade delas", ressalta a médica e terapeuta de medicina tradicional chinesa e coordenadora do projeto Agentes Populares de Saúde da UneAfro Brasil.

Verificado - Projeto ONU

Diante dessa desinforma√ß√£o e com o propósito de ajudar a salvar vidas nesta pandemia que assola o mundo, a Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas lan√ßou o projeto Verificado, iniciativa com o objetivo de inundar os canais de comunica√ß√£o com informa√ß√Ķes verificadas, com mensagens relacionadas à ci√™ncia, solidariedade e solu√ß√Ķes. O Verificado traz uma galeria com conteúdos verdadeiros, confi√°veis, urgentes e claros, baseados em fatos e destacando histórias com o melhor da humanidade. As informa√ß√Ķes compartilhadas s√£o transmitidas pelas Na√ß√Ķes Unidas, pela Organiza√ß√£o Mundial da Saúde (OMS) e por ag√™ncias da ONU.

"Traduzimos para os idiomas locais as informa√ß√Ķes que recebemos da Organiza√ß√£o Mundial da Saúde, confiantes de que faremos a diferen√ßa na vida das pessoas. A internet é uma influ√™ncia poderosa, assim como a televis√£o. Quando existem fontes de informa√ß√£o fortemente conflitantes, em que uma pessoa deve acreditar e como alguém pode chegar a uma conclus√£o firme? Acredito ser reconfortante para o mundo que as Na√ß√Ķes Unidas permane√ßam uma fonte de informa√ß√Ķes independente e confi√°vel por meio da campanha Verificado, do Departamento de Comunica√ß√Ķes Globais. Eu acho que o mundo depende de nós para entender a dor de todos, explicar honestamente o problema e oferecer solu√ß√Ķes vi√°veis", diz Kimberly Mann, diretora do Centro de Informa√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para o Brasil.

No artigo Desinforma√ß√£o: uma arma secreta em tempos de pandemia, a UNESCO recomenda que as pessoas promovam h√°bitos que protejam o fluxo respons√°vel de dados no mundo digital. "Prestem aten√ß√£o ao conteúdo que recebem e replicam de seus celulares, na forma de √°udios, textos ou notícias aparentemente jornalísticas. Mantenham a calma diante do bombardeio de informa√ß√Ķes e sejam cautelosos, compartilhando apenas conteúdos verificados por fontes confi√°veis de informa√ß√£o. E, acima de tudo, promovam essa conscientiza√ß√£o."

Comunicar erro
Jornal Excelsior

© 2021 Copyright © 1992 a 2021 - IAOL - Integração Ativa On-Line Editora Ltda.
As informações relacionadas à saúde, contidas em nossos sites, tem caráter informativo, cultural e educacional. O seu conteúdo não deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Nossos conteúdos são formados por autores independentes e assessorias de imprensa, responsáveis pela origem, qualidade e comprometimento com a verdade da informação. Consulte sempre um profissional de saúde para seus diagnósticos e tratamentos ou consulte um profissional técnico antes de comprar qualquer produto para seu consumo..

•   Política de Cookies •   Política de Privacidade    •   Contato   •

Jornal Excelsior