*Por Dr. Leonard Verea

O conceito “novo normal” está cada vez mais presente em debates entre especialistas que se reúnem para estudar como será o mundo e a reinvenção de diversas faces de relacionamento após a onda do novo coronavírus. Embora sejam discussões que abrangem diferentes áreas da sociedade, há um ponto em comum entre elas: a busca do ser humano pela normalidade. Com a recente e gradual abertura dos comércios e serviços, todos retomam aos poucos a rotina de trabalho, compras e passeios, fazendo com que a palavra adaptação nunca fizesse tanto sentido como agora, quando o objetivo é encarar o “novo” da melhor maneira.

Não podemos negar que a nossa vida virou de cabeça para baixo quando a epidemia do Covid-19 atingiu o Brasil. Além de uma mudança repentina em todos os nossos hábitos e rotina, nos deparamos também com a necessidade de redobrar a atenção para as nossas emoções e sentimentos e buscar por atividades que acalmassem e controlasse o turbilhão de sensações decorrentes ao isolamento. Algumas pessoas, porém, buscaram apoio profissional com psicólogos e psiquiatras para terapias, para que assim conseguissem controlar a ansiedade, medo e até a depressão.

Um estudo feito pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) revelou que os casos de depressão dobraram desde o início da quarentena. Entre março e abril, os dados indicaram que o percentual de pessoas com depressão aumentou de 4,2% para 8,0%, enquanto os casos de ansiedade o salto foi de 8,7% para 14,9%. Agora, com a volta gradual da rotina, é natural que muitos se sintam inseguros, pois os casos de Covid-19 continuam crescendo a nível nacional.

Em contrapartida, o cenário também exige uma rápida adaptação ao novo, já que algumas dessas mudanças foram iniciadas durante o confinamento, como o aumento dos cuidados com higiene, lavar constantemente as mãos com água e sabão, uso do álcool em gel para auto higienização e das compras de mercado ou qualquer outra produto que seja entregue pelos correios ou transportadoras, além é claro do uso de máscara, que se tornou indispensável e até um novo adereço. Além dos novos hábitos incorporados na saúde do brasileiro, outros costumes também estão ganhando espaço com a pandemia. Muitas empresas adotaram a alternativa de trabalho home office para os seus funcionários, mas essa prática pode deixar de ser tendência e virar um regime fixo de trabalho. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou em recente pesquisa que cerca de 30% das corporações devem adotar essa jornada de trabalho como o novo normal manter seus colaboradores trabalhando de casa.

Porém, muitas pessoas se sentem ansiosas com essa situação, ainda mais diante do fato de não saber como essas mudanças vão influenciar futuramente. Por isso, uma das principais dicas é ter inteligência emocional e trabalhar com a capacidade de lidar com situações novas e adversas, encontrando motivação e foco. Então, dado o cenário que estamos vivendo, uma das formas de viver a nossa inteligência emocional é usar o bom senso, perceber o que está acontecendo de uma forma lógica e racional.

É importante se tornar protagonista da própria vida para manter a calma, tranquilidade e disciplina e, para isso, é importante dar atenção aos comportamentos e sinais do corpo. Tomar consciência disso é importante para manter o equilíbrio. Evitar pensamentos negativos também é um grande passo para encontrar a inteligência emocional, além de valorizar as pequenas conquistas e alegrias diárias, como receber uma ligação de uma pessoa querida, fazer uma receita que gosta.

Entenda e respeite seus limites e não se sinta culpado por isso. Não se cobre por ser tão produtivo todos os dias, por não conseguir se exercitar diariamente, por não saber cozinhar, permita-se sentir todas as emoções. Mas busque válvulas de escape para tranquilizar e aquietar e mente: leia um bom livro, assista a um filme ou série, deixe a mente relaxar. E se sentir necessidade, busque a ajuda de um profissional para encontrar esse equilíbrio, pois ajudará a passar por esse momento com mais sabedoria e menos stress.

*Dr. Leonard F. Verea - médico, formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especialista em psiquiatria e Medicina Psicossomática e Hipnose Clínica. É fundador do Instituto Verea e atua também como médico do trabalho e médico do Tráfego.


© É proibida a reprodução, cópia, republicação, redistribuição e armazenamento por qualquer meio, total ou parcial © Copyright 1992 a 2024
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
As informações relacionadas à saúde, contidas em nossos sites, tem caráter informativo, cultural e educacional. O seu conteúdo não deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Nossos conteúdos são formados por autores independentes e assessorias de imprensa, responsáveis pela origem, qualidade e comprometimento com a verdade da informação. Consulte sempre um profissional de saúde para seus diagnósticos e tratamentos ou consulte um profissional técnico antes de comprar qualquer produto para sua empresa.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
As informações publicadas, nos sites/portais, são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião da
 IAOL - Integração Ativa On-Line Editora Ltda. WhatsApp (11) 98578-3166