Novembro é mesmo um mês difícil. O dia de Finados deixa este mês repleto de lembranças, saudades... tristezas. Acredito que todos (ou quase todos) os que já partiram estão vivendo em uma dimensão espiritual, estão vivendo melhor, até mesmo mais felizes. E finalmente com paz na alma, paz nos pensamentos e uma vontade maior de compreender, aprender, perdoar. Enfim, evoluir!

Mas, as saudades destas pessoas queridas que já partiram, mesmo assim, ela dói. Talvez um pouco menos, pelo menos para mim, que tenho fé. Sei que um dia estarei ao lado deles, estes que foram antes, e me deixaram aqui, com meus problemas, tristezas e medos, e também com as alegrias e os sonhos. Que afinal, não podem deixar de existir!

Penso no meu irmão agora, que partiu ainda jovem, e fazem apenas dois meses... Foi uma morte rápida, praticamente sem dor. Bom para ele, acredito. Mas, para nós que ficamos foi tão rápido e triste demais. Tudo se tornou um grande sofrimento, desfazer as lembranças, resolver as pendências, deixar a casa onde ele morava limpa e totalmente pintada... ...conseguir um lugar para deixar o cachorro que era tão amado por ele. Lembrando aqui (aumentando mais a minha tristeza) a última frase dele. Ele a disse para uma cuidadora e vizinha dele, que estava no quarto ao seu lado, algumas horas antes dele partir.
“Será que o Beethoven está sentindo a minha falta?” Lembrando que Beethoven era o tal cachorro, um vira-latas sensível, que vivia com ele e que ficou dias e dias na porta de sua casa esperando que a porta se abrisse.

Sim, esta foi a última pergunta. Ela me deixou mais triste ainda. Porque eu não estava lá para responder, para lhe dizer em algo e bom som;

“Sim, ele está sentindo a sua falta e nós todos também, muito mais do que ele. E sofreremos muito, se você for embora, por favor, fique mais um pouco, não se entregue pelo amor de Deus!”

Mas ele se entregou, acredito que sim. Acredito até mesmo que ele não tinha muita vontade de viver, embora demonstrasse sempre o contrário, com seu riso fácil, um contagiante bom humor e uma maneira pura e “desligada” de enfrentar a vida com todos os seus problemas.

A vida aqui na Terra não foi fácil para ele. Doenças e mais doenças tornaram sua existência difícil e totalmente dependente dos familiares. Eu fiz o possível. Sim, poderia ter feito mais..., mas, como já sabemos não podemos dar, nem tampouco demonstrar algo que não estamos conseguindo vivenciar naquele momento.

Os problemas existiam para todos, não apenas para ele que estava tão doente, sozinho, tão apegado ao Beethoven. Existiam para mim mesma, para minha família, marido e filhos. Mas, mesmo assim, sempre encontramos forças, ou deveríamos encontrar para ajudar muito mais aqueles mais frágeis, que enfrentam uma situação pior do que a nossa.

Por isto mesmo eu lhe peço perdão, meu querido irmão Guito, era o apelido dele. Acredito que estou sendo perdoada. Ele sabe o quanto eu o amava, e o quanto eu sempre tentei ajudá-lo em muitos outros momentos difíceis.

Receba aqui então, o meu pedido de perdão. E todo o meu amor, que tantas vezes poderia ter demonstrado. Ainda que o céu estivesse cinzento e algumas tempestades se aproximassem... Eu poderia sim, ter-lhe dito, como faço agora, “que o amo muito, e que este amor em nenhum momento de sua vida aqui na Terra, deixou de existir”. Sei que ele compreende, como sempre fez, com seu sorriso fácil, seu olhar profundo repleto de amizade e desejo de ajudar.

Fique em paz querido irmão. Reze muito por nós, aí de aonde você está. Para que possamos evoluir de fato, aprender a amar, sim, principalmente isto, aprender a amar. E ter assim o privilégio de reencontrá-lo um dia.

Como vocês podem ver, novembro e o dia de finados é difícil e doloroso para mim. Aceitem o desabafo, e que possa sensibilizar cada um de nós.



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