autor do livro “Gênesis Proibido – A Tragédia de Adão e Lilith”

 

Jornal O Legado – Quem é Marcelo de Lima Lessa?

Marcelo de Lima Lessa - No campo profissional, um servidor público que atua defendendo as leis feitas pelos homens. E no pessoal, um entusiasta do misterioso, do maravilhoso e do fantástico.

JOL – O Senhor lançou recentemente o livro “Gênesis Proibido – A Tragédia de Adão e Lilith”. O que lhe motivou a escrever esta obra?

MLL - Lembro que no catecismo, enquanto as outras crianças ainda liam o início do Novo Testamento, eu já enveredava na luta de Miguel contra o Dragão, descrita no Livro do Apocalipse. Isso fez com que eu me interessasse desde cedo pela figura bélica dos arcanjos. No final dos anos oitenta eu assisti a um longa-metragem chamado “Night Angel”, onde pela primeira vez ouvi falar sobre Lilith, interpretada pela atriz alemã Isa Jank. Ela se contrapunha a tudo o que eu até então achava que sabia sobre a trágica história de Adão e Eva. Fiquei fascinado com o pouco que o filme contou sobre a origem de Lilith e, diante das raras obras que exploravam a sua figura, resolvi recontar o início do Gênesis tal qual não conhecemos, explicando como tudo teria acontecido se ela, e não Eva tivesse sido de fato a primeira esposa de Adão. E no decorrer da narrativa acabei me apaixonando pela majestade dessa personagem, pois eu não a descrevo como uma rainha dos demônios ou coisa que o valha, mas sim como uma mulher que ousou desafiar a submissão que o homem queria impor sobre ela. Lilith era especial, fora feita de sangue, saliva, mel e rosas. E essa mistura, embora a princípio fatal sob o ponto de vista da sedução, encobria uma mulher de certa maneira frágil, mas que haveria de lutar furiosamente para mostrar que não era inferior ao homem.

JOL – Por que o título “Gênesis Proibido”?

MLL - Ao contrário do que se pode parecer, “Gênesis Proibido” não é uma revisão do livro bíblico do Gênesis. A expressão “Gênesis” do título dá a ideia de origem, e é disso que a obra trata; do nascimento do homem sob uma ótica nunca antes mostrada. No início da história percebemos que ela faz menção de situações que ocorrem na idade média, onde um anjo fugitivo é morto durante o Concílio de Trento estando na posse do verdadeiro tratado da humanidade, o oculto que dá base ao livro. Assim, ao me referir a “Gênesis Proibido”, faço alusão à história proibida do nosso nascimento, a não oficial, mas a que foi escondida propositalmente pelas autoridades eclesiásticas de outrora, que tencionavam a todo custo extirpar a figura de Lilith das escrituras sagradas.

JOL – O texto é totalmente ficção ou há fundamentos históricos bíblicos?

MLL - A base geral do texto é bíblica, ele passeia pelo começo do Gênesis e termina em eventos que antecedem o Novo Testamento. Entretanto alguns personagens foram extraídos dos apócrifos rejeitados pelos Concílios, como Luluvah e Aclia, irmãs de Caim e Abel. Outros são produtos da minha mente, como o doce e perigoso querubim Caliel, um dos meus personagens prediletos. O conto em si é ficcional, mas o que eu acho interessante é que nele tudo encontra uma base, ainda que codificada, na própria Bíblia. Até mesmo Lilith está nela, escondida em rimas em Gênesis 1:27, bem como os vigilantes e os anjos vingadores mandados por Deus para disciplinar o homem. Basta lê-la com atenção e o coração desarmado que muita coisa se encaixa.

JOL - Jornal O Legado – Este livro lhe realizou, até o momento, como autor?

MLL - Sim, “Gênesis Proibido” era um sonho antigo que agora se realizou e, independente do êxito literário que talvez ele um dia possa vir a ter, vê-lo materializado, por si só já foi uma vitória para mim.

JOL – Haverá continuação? Uma saga, uma trilogia?

MLL - Para todos os que perguntam, eu repondo que sim! “Gênesis Proibido” é a primeira parte de uma história dividida em dois segmentos que se completam como um ciclo. Ele termina deixando a porta aberta para uma continuação que dará nova visão aos fatos contados no Novo Testamento. E essa sequência já está sendo escrita, pois o desfecho de vários personagens do primeiro livro estará nela.

JOL – Outras histórias virão?

MLL - Certamente. Após a conclusão da segunda parte de “Gênesis Proibido” continuarei, se Deus assim o permitir, me debruçando sobre temas que tenham alguma ligação com o misticismo. O folclore brasileiro tem histórias aterrorizantes e fantásticas que são pouco exploradas e, pessoalmente, eu tenho muito interesse em me enveredar nessa área.

JOL – Qual parte do livro “Gênesis Proibido – A Tragédia de Adão e Lilith” lhe fascina mais? Por quê?

MLL - Para responder essa pergunta eu teria que dar detalhes sobre certos desfechos, o que talvez estragasse a surpresa dos leitores. Entretanto, nos capítulos “Um Amor Como Nenhum Outro”, “A Peregrinação de Noé” e “Redenção” existem três partes que são as minhas prediletas, uma falando sobre a imortalidade do amor de Adão e Lilith; outra que descreve a força da ira divina sobre as ações dos vigilantes e uma última mostrando que, mesmo para um anjo caído, o perdão pode existir.

JOL – Quanto tempo o Senhor levou para completar esta obra?

MLL - Foram cerca de vinte e cinco anos de esboços, interrompidos em largos períodos em razão do meu trabalho convencional. Mas ainda assim eu acho que o resultado ficou satisfatório, considerando-se que é o meu primeiro livro.

JOL – Qual foi a maior dificuldade para concluir o livro “Gênesis Proibido – A Tragédia de Adão e Lilith”?

MLL - O receio de que o livro fosse genericamente visto como uma blasfêmia, afinal ele questiona escritos oficiais, recontando a maior história de todos os tempos, que é a saga da nossa criação. Eu procurei ser o mais gentil possível com os dogmas bíblicos, pois creio em Deus e somente a Ele temo. Entretanto quem leu a Bíblia sabe que ela é um livro recheado de aventuras, violência, guerras, paixões e sexo, temas polêmicos que fascinam o imaginário das pessoas. E com “Gênesis Proibido” eu quis exatamente isso, mexer com a imaginação do leitor e fazê-lo se autoquestionar da seguinte forma: “será que tudo isso ocorreu tal qual foi contado?”.

JOL – Geralmente encerramos nossas entrevistas pedindo uma palavra final do entrevistado para nossos leitores, em especial o que o senhor poderia dizer a eles?

MLL - O autor não vive sem o leitor. É como um artista sem palco ou público. Por isso eu tenho a preocupação em manter um canal sempre aberto com aqueles que, de uma forma sadia e segura, se desprendem da realidade do seu dia-a-dia e viajam pelos mundos criados pelos escritores, os quais eu defino como guias do mundo fantástico. Ser leitor é despir-se de credos e pudores e ousar enfrentar um campo novo, onde ao final dele a própria maneira de ver o mundo pode mudar. Peço então que os leitores não apenas leiam, mas deem a sua opinião sobre o livro, pois eles são a verdadeira temperatura do nosso sucesso!

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